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INPI concede ao trabalho em prata de Pirenópolis o título de Indicação Geográfica

O INPI - Instituto Nacional de Propriedade Intelectual publicou, no dia 09 de julho deste ano, a concessão de Indicação Geográfica (IG), na espécie de Indicação de Procedência (IP) ao trabalho artesanal de joias em prata de Pirenópolis. Isso equivale ao reconhecimento oficial da exclusividade e da personalidade do estilo dos trabalhos feitos pelos prateiros de Pirenópolis.

INPI concede ao trabalho em prata de Pirenópolis o título de Indicação Geográfica

A prata de Pirenópolis, ou melhor, o trabalho em prata de Pirenópolis, já que não existe mineração de prata por aqui, apenas a manufatura, foi trazido na década de 80 pelo pessoal da Terra Nostra. A Terra Nostra foi um tentativa de criação de uma comunidade alternativa no distrito de Bom Jesus, numa fazenda a cerca de 40 km da cidade de Pirenópolis. Hoje, lá existe uma espécie de condomínio rural, a comunidade não vingou. Muitos dos seus integrantes eram artesões que trabalhavam com joias e bijuterias em metal, usando alpaca, fios de cobre e prata, e que eram chamados de hippies. Como lá na fazenda não tinha energia elétrica, montaram uma oficina na cidade para instalar as máquinas laminadoras de chapa e fios. Com isso, contrataram rapazes para trabalhar, pois as vendas dos produtos, naquele tempo, eram feitas em cidades turísticas longe de Pirenópolis. Pirenópolis só veio a ter o turismo como fonte de renda após 2000, em 80 não tinha turismo, não o suficiente para manter o comércio e o sustento dos prateiros da Terra Nostra.

Os hippies da década de 80 foram um fluxo migratório que alterou e influenciou tanto economicamente como culturalmente Pirenópolis. Não foram só os artífices da Terra Nostra, precedidos pelo Evandro, Dudu e Adriano, vieram após eles vários outros, como o Edi e o pessoal da Fraterunidade, uma comunidade que foi cenário e palco de inspiração para a novela Estrela Guia e que marcou o início da notoriedade de Pirenópolis em nível nacional; e a turma da OMNI que promoveu um grande Encontro de Comunidades Alternativas e transformou o que era pasto e velhas lavouras em uma linda e exuberante floresta. De fato que este reconhecimento estende-se com alegria a todos os hippies que vieram para Pirenópolis e fizeram de Pirenópolis sua vivenda e fincaram raízes. Os fidirripi (filhos de hippies), hoje, são um grupo social ativo, são adultos, com família, com filhos, casados com gente da terra e que mantém comércios. A maioria são ativistas culturais e defensores ambientais.

Hoje, devido a isso temos dezenas de oficinas de prata e muita gente nativa trabalhando e sobrevivendo deste negócio. Como Pirenópolis tornou-se um destino turístico de grande movimentação, muitas lojinhas se abriram e não há mais necessidade de viajar para vender esse produto. Esse reconhecimento, portanto, é fruto daquele fluxo migratório da década de 80 e estende-se, de certa forma, a todos os hippies de Pirenópolis, fidirripi e netos de hippies que hoje vivem e sobrevivem neste lugar.

Matéria publicada em 10/07/2019 às 10h06.

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