É, pois, daqui que veio este carnaval de Pirenópolis. Esse resgate das marchinhas de Carnaval relembra o tempo do carnaval no Praia Clube, salão de baile que se encontrava na Rua Direita onde hoje é o Fórum. Bailes típicos, fechados, reservados a uma elite pagante que buscavam nos clubes a segurança para suas mocinhas, ao contrário do carnaval de rua, livre e gratuito, regado a batucada e cachaça.
A reflexão é a sequinte: Vimos nos noticiários o apelo à valorização do Carnaval de Raiz, como anunciaram em São luiz do Paraitinga e Ouro Preto, duas cidades históricas do mesmo período de Pirenópolis, como uma forma de valorização do patrimônio cultural. Porém, será que podemos considerar este carnaval de marchinhas raiz cultural de Pirenópolis? Ou não seria este tipo de carnaval considerado raiz apenas por ser aquele que se fazia antes do aparecimento desta modernidade, do "povo de fora", do creu, axé e da baianidade? Creio, portanto, que o termo Carnaval de Raiz é bastante impróprio para este tipo de carnaval e muito menos ainda para o próprio carnaval. Ou será que Chiquinha Gonzaga tem relações com as raízes culturais do povo de Pirenópolis?
O certo é que o carnaval é patrimônio cultural, do modo que é feito, novo ou velho, com marchinha ou música rave, pois é a festa que celebra a liberdade e alegria, contrapondo-se a austeridade e disciplina da quaresma. Discordo daqueles que pensam que promover o carnaval de marchinha e repudiar a festa rave ou a dancinha da garrafa é valorizar o patrimônio cultural de Pirenópolis, pois penso que nem um nem outro é radicalmente pirenopolino. É tudo de fora.
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