Benvindo a Pirenópolis
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Luiz Gonzaga Jaime

Lulu Jaime, um homem de direito

Luiz Gonzaga Jayme (Pirenópolis 8.5.1855 – Rio de Janeiro 29.1.1921), foi duas vezes senador da República, desembargador, promotor de justiça, chefe de polícia, professor, advogado e jornalista.

Era filho do coronel João Gonzaga Jayme de Sá e de Maria Tomázia Batista, casou-se com Maria Augusta Sócrates, em 15.8.1884, deixando: Aníbal Jayme, Múcio Sévola Jayme, Naiá Gonzaga Jayme, Túlio Hostílio Jayme, Marieta Gonzaga Jayme, Dr. Alarico Gonzaga Jayme, Dr. Genserico Gonzaga Jayme, Dr. Luiz Gonzaga Jayme, Ari Gonzaga Jaime e Belti Gonzaga Jayme.

Lulu Jayme, como era conhecido em Pirenópolis, era neto paterno do padre Luiz Gonzaga de Camargo Fleury e de Maria Genoveva da Soledade (Inhá Genu). Entre 1862 e 1867 cursou as aulas particulares do professor Braz Luiz de Pina, um homem austero, mas que soube ver em Jayme uma inteligência acima da média. E por isso, no ano seguinte, por indicação do professor Pina, seu melhor aluno matriculou-se no Colégio Senhor do Bonfim, que ficava num casarão ao final da rua Santa Cruz, hoje demolido, dirigido pelo professor Raimundo Henrique des Genettes. Também des Genettes se surpreendeu com a capacidade mental do aluno e o indicou para o Liceu, na Cidade de Goiás, onde cursou humanidades e viu despertar em seu íntimo a paixão pela Ciência Jurídica.

Gonzaga Jayme retornou então para Pirenópolis e comunicou ao pai que gostaria de cursar Direito. Seu Jayme, seu pai, embora fosse um homem de poucos estudos, lia bastante e queria que o filho adquirisse a cultura que não teve, já que perdeu o pai com 15 anos e teve que trabalhar para se manter. Seu Jayme, então, juntou suas economias e mandou o filho para São Paulo, matricular-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Isso mudaria para sempre a vida de Lulu Jayme, pois no prédio do velho convento, onde a faculdade funcionava, fervilhava a vida cultural do país, circulavam periódicos, encenavam-se peças teatrais, surgiam grandes escritores e poetas, por lá passaram Álvares de Azevedo, Castro Alves e Fagundes Varella. Ali também nasceram os principais movimentos políticos da história do Brasil, desde o Abolicionismo de Joaquim Nabuco, Pimenta Bueno e Perdigão Malheiro, ao Movimento Republicano de Prudente de Moraes, Campos Salles e Bernardino de Campos.

O agora Dr. Jayme bacharelou-se com louvor em 21.11.1882 e regressou saudoso a Pirenópolis, onde foi recebido com uma grande festa promovida por seu emocionado pai. Na terra natal ficou Gonzaga Jayme no exercício da advocacia e do magistério, até que (em 1884) seguiu para a Cidade de Goiás, então capital da Província, para se tornar promotor de justiça. Em Goiás se casou com sua prima Maria Augusta Sócrates (15.9.1884) e no mês seguinte tomava posse no cargo de juiz municipal de Santa Luzia, depois transferido para Pirenópolis, onde passou a também exercer o cargo de professor do Colégio Ateneu Meiapontense.

A notícia dos conhecimentos jurídicos do Dr. Jayme corriam a Província, ainda tão carente de bons profissionais na área, e em 16.4.1890 assumiu o cargo de juiz de direito do rio Coxim, mas por lá ficou somente três meses, pois como bom profissional que era, foi convocado para o Tribunal de Relação de Goiás (hoje Tribunal de Justiça), cargo que exerceu até 20.4.1892, quando foi nomeado chefe de polícia e ficou no cargo até 31.12.1892. Em 1.1.1893, tomou posse efetiva como ministro do Superior Tribunal de Justiça de Goiás (hoje desembargador) e também tornou-se professor de direito penal da extinta Academia de Direito de Goiás.

Em 1909 aposentou-se como desembargador e passou a se dedicar com afinco à política partidária, sua outra paixão além do Direito. Era ele filiado ao Partido Republicano, mas desejoso de romper o poder da oligarquia dos Bulhões, em 1908 desfilia-se do partido e se torna um dos mentores intelectuais da Revolução de 1909, que depôs o governador Francisco Bertoldo de Sousa e entregou o cargo em 1ª de maio ao seu vice, o coronel anapolino José da Silva Batista. Foi eleito senador da República por dois mandatos (1909 a 1912 – 1912 a 1921), pelo Partido Democrático, onde se destacou seu vasto conhecimento jurídico na elaboração do Projeto do Código Penal da República, como presidente da Comissão Especial. No Senado, era membro das Comissões de Polícia, Constituição e Diplomacia, e de Justiça e Legislação.

Como jornalista, escreveu para os jornais de oposição “Gazeta Goyania”, “Estado de Goyaz”, “Jornal de Goyaz”, “República” e “Imprensa e Goyaz”. O grande senador morreu assassinado no dia 29.1.1921, na cidade do Rio de Janeiro, por conta dum estúpido crime passional, acontecimento que pôs fim a uma brilhante carreira.

Fonte: www.cidadedepirenopolis.blogspot.com