Benvindo a Pirenópolis
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Comendador Joaquim Alves de Oliveira

Comendador Joaquim Alves de Oliveira: memória curta para um grande vulto da nossa história

Texto de Ubirajara Galli*

A cidade de Pirenópolis, escolhida por mim e minha esposa, Helena Galli, para passarmos a nossa lua-de-mel, há exatos 30 anos, por pouco, por muito pouco não tomou da cidade de Goiás a condição de capital colonial goiana, foi palco da atuação fantástica de Joaquim Alves de Oliveira.

Notadamente conhecido como Comendador Oliveira, nasceu o pai biológico da imprensa goiana, no dia 18 de agosto de 1770, no Arraial de Pilar de Goiás. Foram seus pais Domingos Alves de Campos e Páscoa Pinto de Oliveira. Em 1779, morreu seu genitor, e seu irmão mais velho, Manoel de Oliveira, que ficou responsável pela sua guarda, repassou essa responsabilidade ao padre Antônio de Azevedo Batista, que influenciou o menino Joaquim a seguir carreira eclesiástica.

Em 1792, no Rio de Janeiro, não dando certo o seu objetivo de ingresso religioso, resolveu investir no seu tino comercial. Em pouco tempo economizou uma boa quantia de dinheiro e retornou a Goiás, abrindo frentes de comércio, no Arraial de Meia-Ponte. Mesmo com os agraves que norteavam as viagens daquele tempo, que eram verdadeiras odisséias, por três vezes, entre 1796 e 1802, viajou ao Rio de Janeiro para ampliar a sua relação comercial.

No ano de 1802, iniciou a construção do Engenho São Joaquim, conhecida como fazenda Babilônia, na época a maior propriedade agrícola da província, visitada por notáveis cientistas viajantes europeus, entre eles Saint-Hilaire escreveu em seu livro, Viagem às nascentes do Rio São Francisco e pela província de Goiás, que a propriedade era “o mais belo estabelecimento na zona de Goiás que percorri”.

Casou-se Joaquim Alves de Oliveira com Anna Rosa Moreira, no ano de 1803, com quem teve três filhos. Dois morreram ainda crianças, a única sobrevivente, Ana Joaquina Alves de Oliveira, que contrairia núpcias com o coronel Joaquim da Costa Teixeira iria, mais tarde, provocar uma tragédia.

Despido das roupas eclesiásticas como demonstrara em sua adolescência, o envolvimento do comendador Oliveira com a Igreja Católica era muito próximo, tanto que foi provedor da Irmandade do Santíssimo Sacramento, agraciado com o Hábito de Cristo e a Comenda da Ordem de Cristo. A primeira e grande reforma da Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário ocorrida na década de 30 do século XIX foi orquestrada também pelo Comendador. Seus feitos que são vários lhe trouxeram outras distinções como a Honra de Moço Fidalgo da Casa Imperial, Comenda do Cruzeiro, Comenda de Cavaleiro da Ordem de Rosa e a patente de tenente-coronel. Honraria especial ele recebeu dos versos do primeiro poeta goiano, Florêncio Antônio da Fonseca Grostom, que narraram a sua importante participação, no combate à epidemia de sarampo, que em 1811 assolou o Arraial de Meia-Ponte.

Conciliando de forma notável a sua perspicácia comercial com o seu lado intelectual, nitidamente influenciado pelo padre Luiz Gonzaga Camargo Fleury, o Comendador Oliveira, em 5 de março de 1830, inaugurou a primeira tipografia de Goiás, ao editar o primeiro jornal em terras goianas, o Matutina Meiapontense.

Ainda nesse ano, no dia 3 de maio, menos de dois meses depois do grande feito da edição da Matutina, o comendador, movido por sua altivez e filantropia, fundou a primeira biblioteca da Província.

O ano de 1833 chegou trágico para Joaquim Alves de Oliveira. Sua esposa, Anna Rosa Moreira, é barbaramente assassinada com um tiro de pistola no peito, em circunstâncias não esclarecidas oficialmente, por um agregado do Engenho São Joaquim, com quem sua filha Ana Joaquina teria uma relação incestuosa.

Em 1836, o governo da Província comprou a Tipografia D’Oliveira, para imprimir o Correio Oficial. Os motivos dessa transação comercial não são conhecidos historicamente.

No dia 4 de outubro de 1851, o Comendador Oliveira, cuja memória não é ainda referenciada como deveria ser, faleceu em Meia-Ponte, aos 81 anos.

*Ubirajara Galli, escritor, é membro da Academia Goiana de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás.