Benvindo a Pirenópolis
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A restauração da Matriz

Antes

Na década de 1980 a igreja se encontrava maltratada e em precárias condições. O laudo emitido pelos técnicos do IPHAN relata-nos a majestosa Igreja com os revestimentos externos despregando em inúmeros pontos; várias peças de madeiras da estrutura foram carcomidas por cupins e umidade, assim como os altares, forros e imagens; a sujeira e oxidação das tintas nas peças decorativas eram abundantes, como o caso dos anjos trombeteiros que se encontravam da cor marrom, devido a oxidação do verniz, fazendo muitos afirmar erroneamente que eram morenos de origem, aludindo à influência negra em sua confecção; e finalmente a infestação de animais: cupins, formigas, abelhas, vespas, aranhas, pombas, maritacas, corujas, ratos e morcegos transformaram a Igreja em um verdadeiro zoológico.

Com a verba de R$ 875.000,00, provenientes da TELEBRÁS, via PRONAC, lei do mecenato, por iniciativa do IPHAN e da SOAP, Sociedade dos Amigos de Pirenópolis, foi possível efetivar a "Obra de Restauração da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário de Pirenópolis".

Durante

O revestimento externo foi parcialmente demolido e um novo revestimento colocado em seu lugar, que chegou a ser recoberta por uma fina tela metálica para melhor sustentação do reboco de acabamento, feito com uma fina argamassa à base de cal, à maneira antiga. O telhado foi desmontado e as telhas lavadas uma à uma. Foram imunizadas, com Pentoxim, todas as peças de madeiras, como as tesouras, caibros, frechais e cachorros, e as peças deterioradas foram substituídas, assim como todo o conjunto de guarda-pós. Foi feita uma impermeabilização com feltro asfáltico (papelão betuminoso) colocado entre os caibros e as telhas, e estas foram amarradas com arame galvanizado para evitar deslizamentos. Em relação a estrutura de baldrames e esteios de aroeiras, muitos se achavam deteriorados e foram substituídos, por motivos ecológicos, por ipês, assim como as escadas da torre. Um novo forro em cedrilho foi construído sob o telhado da nave.

Abelhas foram retiradas e o controle de térmitas (cupins) foi feito sob orientação dos técnicos do IBAMA. As pombas, maritacas, morcegos e ratos foram expulsos e somente as corujas suindaras ou coruja-da-torre (tyto alba tuindara) tiveram o privilégio de permanecer no local, apesar de suas fezes serem corrosivas. O Zoológico de Brasília participou do resgate dos filhotes de corujas que se encontravam no local, deixando apenas um casal para habitar nos caibros e tesouras do telhados. As suindaras ou coruja-da-torre, como acerta o nome, tem o hábito de nidificar em construções altas como as torres e são responsáveis, como predadores, pelo controle de ratos e morcegos.

Nos elementos artísticos, como altares, forros e imagens, os cupins haviam feito grandes estragos. Os cupins invadem os interiores da peças em madeiras deixando apenas uma finíssima casca externa. Após a limpeza superficial da peça a ser restaurada, com substâncias que se assemelham à saliva, é feita e desinfetação dos cupins, matando-os. Os ocos deixados por eles são preenchidos, ou com uma mistura de cera de abelhas com serragem e pequenos pedaços de madeira, ou com a utilização de paralóides químicos por injeção. A recomposição das pinturas afetadas, assim como as áreas laminadas à ouro, é feita através de finíssimas pinceladas paralelas, em cores previamente estudadas, e muito próximas uma das outras. Deste modo obtém-se, à suficiente distância, a mesma tonalidade da cor original. Esta técnica, conhecida como regatino, tem como objetivo identificar e diferenciar a intervenção dos restauradores em relação ao original. Após esse minucioso trabalho as peças restauradas são protegidas por vernizes apropriados.

O barrado azul que existia pintado na capela-mor antes do desabamento do telhado em 1838, foi descoberto, demolindo o reboco feito por cima do original, em um trecho de três metros próximo ao altar. A restauração completa deste barrado original tornou-se inviável, em vista de que outros rebocos foram colocados encima do original que teve de ser todo repicado e parcialmente destruído. Os técnicos então optaram por reconstituir em pintura nova um barrado imitando o original.

Este foi um resumo da restauração que durou cerca de três anos.

Depois

Em 2000 as obras de restauração foram concluídas e entregues à comunidade. O "Projeto Tocando a Obra" abrilhantou com musicais dentro da igreja e entregou a obra com maestria. O relógio alemão de 1885, voltou a funcionar e a majestosa igreja brilhou no alto da colina, com suas duas torres, alvas e imaculadas, almejando o azul do céu como uma súplica ao altíssimo.