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12/06/2011

Vaias e protestos marcaram o primeiro dias das Cavalhadas 2011 de Pirenópolis

Devido a uma decisão do Juiz de Direito da Comarca de Pirenópolis, Dr. Sebastião José da Silva, atendendo a uma ação civil pública movida contra a prefeitura pelo promotor Rafael de Pina Cabral, os Mascarados de Pirenópolis, em forma de protesto, não saíram no primeiro dia das famosas Cavalhadas de Pirenópolis.

Vaias e protestos marcaram o primeiro dias das Cavalhadas 2011 de Pirenópolis

A decisão judicial impôs a prefeitura a obrigação de cadastrar e numerar os Mascarados, personagem folclórico que, junto com os cavaleiros, compõe uma das mais grandiosas festas folclóricas e populares de Goiás. Mas a decisão desagradou àqueles que se vestem de mascarados, pois retiraria deles sua principal característica, que é o anonimato. Tal decisão foi embasada por diversos crimes e delitos atribuídos às pessoas mascaradas na Festa do Divino de anos anteriores.

A Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis recebeu em 2010 o título de Patrimônio Imaterial Brasileiro por ainda manter em suas feições as tradições e originalidades de uma festa popular. Mas não foi bem uma bela festa que vimos no Domingo do Divino no primeiro dia das Cavalhadas, considerado o ponto alto dos festejos. Uma espécie de acordo coletivo, juntado com um descontentamento quase que unânime, fizeram com que um número reduzidíssimo de mascarados saíssem para festar. Das centenas de mascarados que em outros anos via-se pelas ruas e no campo, neste ano se teve um pouco mais de uma dezena, era muito, e praticamente todos esses pingados mascarados com máscaras de borracha, indumentária rejeitada por boa parte dos que coordenam a festa.

Além do protesto contra a numeração dos Mascarados ainda houve forte vaias de toda a platéia quando um, apenas um, mascarado entrou no campo para o tradicional louvor ao Hino do Divino, momento solene onde os garbosos mascarados sobem em pé no cavalo e cantam o hino com a mão no peito. Esse podre, infeliz e solitário mascarado não deu conta nem de chegar ao meio do campo e se retirou constrangido com tanta vaia, caindo do cavalo, sobrando ao solene momento, pela primeira vez na história de Pirenópolis, o Hino cantado sem nenhum mascarado no campo.

Mas não ficou por aí: O início da batalha dos mouros e cristãos se dá com uma pessoa vestida de onça, mascarada é claro, que faz o papel do espião mouro que invade o território cristão. Pois bem, nem esta compareceu e, de improvisso, sob fortes vaias de toda a platéia, de novo, colocaram no local da onça uma pessoa com um manto branco, que mais parecia um fantasma. E daí as cavalhadas correram sem mascarados, pela primeira vez na história de Pirenópolis.

De tudo isso podemos dizer que há males que vem para o bem, infelizmente. O acontecido gerou na população pirenopolina uma grande discussão sobre as Cavalhadas e como esta vem se transformando ao longo dos últimos anos, além de assuntos mais profundos como o relacionamento institucional com a festa e a maneira como as autoridades lidam com o povo. Temas como a interferência de políticos com interesses eleitoreiros e partidários, subsídios, propagandas políticas e comerciais, a construção de um espaço (o cavalhódromo) inadequado às atividades e relacionamentos sociais da festa e, ainda, o afastamento e desconhecimento dos coordenadores e autoridades com a religiosidade e a verdadeira função da festa, estão sendo debatidos e é o assunto em toda a roda de conversa atual.

No mais, veremos se neste tempo vindouro possa a população de Pirenópolis entrar num acordo e retomar ao povo a festa que só a eles devem pertencer, sem a interferência de juiz, promotor, governador, políticos e autoridades institucionais tentando mandar numa manifestação popular que deve continuar a ser popular, pelo seu valor cultural e histórico, e não sofrer intervenções de governos ou empresas, pois festa popular é aquela feita pelo povo sem interferências ou apoios institucionais, a não ser que esses últimos forem sem interesses pessoais, o que, infelizmente, não acontece em nossa política atual.

Matéria publicada em 12/06/2011 às 20h25min.