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05/06/2018

O turismo em Pirenópolis e a conservação do meio ambiente

Há algum tempo atrás ouvia-se dizer que turismo era uma indústria verde. Já não se ouve falar mais isso. Também pudera, constata-se que não há atividade humana que não produza algum passivo ambiental. E o turismo, como sendo um deslocamento de pessoas, em alguns casos de verdadeiras massas humanas, traz consigo grandes impactos.

O turismo em Pirenópolis e a conservação do meio ambiente
Um ambiente natural usado no turismo com mínimo passivo ambiental

Mas, de um modo geral, podemos relacionar a maioria dos impactos do turismo de Pirenópolis como sendo de baixa significância. Mas nem por isso desprezíveis. Até mesmo porque alguns possuem sua ocorrência direta e constante. Outros em menor número mas de maior intensidade e significância são bastante preocupantes.

Entre aqueles que são considerados de baixo impacto, direto e de mais fácil controle temos o pisoteio de trilhas, o trânsito e a poluição sonora. Fiscalização e rigor na aplicação da lei e nos critérios de licenciamento ambiental resolvem esses problemas. O impacto desses também são localizados e/ou temporários. Mas sem controle e fiscalização, estes impactos podem trazer resultados bem negativos e ser bem desconfortáveis à população. Por exemplo, as trilhas se não tratadas, calçadas e recuperadas causam mortes de árvores nas margens dos rios, afetando a mata ciliar e a microvida aquática, como o que vem acontecendo em vários atrativos de cachoeiras. As trilhas também podem até chegar, quando aberta em campos, a virar grandes voçorocas, como está acontecendo no Parque dos Pireneus e na Cidade de Pedra.

Já no caso do trânsito e da poluição sonora, apesar de serem relativamente de baixo impacto ambiental, causam grandes incômodos. Imagina quem mora ao lado de uma casa de temporada alugada para uma turma ruidosa? E as festas barulhentas até altas horas da matina? E o trânsito em estradas de chão? Como fica o estado destas estradas? E a poeira? E olha que trânsito numa cidade sem código de trânsito, sem guarda, acostumada a poucos carros, que de repente o número de veículos é multiplicado vira um verdadeiro caos. Mas nada que um código de trânsito e guardas municipais munidos de autoridade para multar não resolva.

Quanto aos impactos mais preocupantes temos a ocupação urbana desordenada e a geração de resíduos, o lixo. Com estes sim, o turismo traz uma característica bem distintas das cidades não turísticas e são preocupantes, difíceis de resolver.

Quanto a ocupação urbana, o turismo gera uma especulação imobiliária, motivado pela construção de segundas casas e estabelecimentos de hospedagem e atrativos, expulsando o morador de baixa renda para áreas periféricas, onde surgem bairros e loteamentos sem planejamento, que no futuro faltarão praças, áreas verdes e locais para instalação de equipamentos púbicos. Este problema pode ser minimizado, ou até eliminado, se a cidade tiver uma gestão pública de urbanização rigorosa. O que para uma cidade pequena que possui fluxos de movimentação humana sazonal é complicado, pois sua infraestrutura pública não acompanha os aumentos sazonais de população. Problema também de dificílima reversão ou recuperação das áreas ocupadas por bairros irregularmente, levando às gerações futuras sérios problemas como trânsito caótico, falta de drenagem pluvial, ausência de redes de esgoto, áreas verdes e de lazer.

Já o lixo, é um seríssimo problema. O aumento demográfico sazonal provoca uma aumento de geração de resíduos que ultrapassa a capacidade de gestão. Existe um ônus público e um passivo ambiental muito negativo quando se pensa que a maior parte dos resíduos gerados foram adquiridos em outras cidades e deixados no destino para ser processado. A receita comercial fica lá e a despesa fica aqui. Neste caso, cabe a prefeitura tarifar os geradores e taxar o turista para angariar recursos para prover o custo de limpeza, coleta, valorização e destinação adequada.

Em vista do exposto, uma cidade turística que tem como princípio promover um turismo sustentável que, além de preservar, dê qualidade de vida aos seus cidadãos (até porque é um enorme bônus uma cidade possuir um turismo onde a natureza é essencial) precisa se esmerar em ter uma gestão eficiente, licenciando e fiscalizando empresas, controlando e multando infratores de trânsito, gente ruidosa e poluidores. Mas isso traz desgaste político e é comum prefeitos e vereadores se esquivarem desta obrigação delegando tais problemas ambientais e sociais para as futuras gerações, ao contrário que prediz o conceito de sustentabilidade. Afinal, que futuro queremos e que legado deixaremos?

Matéria publicada em 05/06/2018 às 15h09min.

Um ambiente natural usado no turismo com mínimo passivo ambiental
Voçoroca causada por acesso automotivo em terrenos frágeis
Pisoteio em raízes em solo sensível às margens de poços de banho
Raízes expostas, causadas por pisoteio, significam riscos às espécies lindeiras
Voçoroca causada por aceiro contra fogo em parque ambiental
Trilha urbanizada em atrativo, evitando degradação do solo por pisoteio
Calçamento muito bem integrado à natureza
Escadaria em pedras protegem contra a formação de voçorocas
Trânsito em estrada de chão é, além de um transtorno, um estrago na rodovia
Lixo acumulado próximo aos trevos trazido por atrativos, comércios e sítios de lazer