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26/12/2005

Interpireneus Golfe Clube publica propaganda enganosa em jornal local

A Interpireneus Incorporadora Ltda, dona do projeto Interpireneus Golfe Clube Residence (veja as vantagens e desvantagens deste projeto), publicou no Jornal O Pireneus sua primeira exposição ao público pirenopolino.

É uma publicidade bonita, porém cheia de técnicas persuasivas de autopromoção e marketing. A enganação já começa no primeiro parágrafo, onde dá a entender que o desenvolvimento de estudos de “Impacto Ambiental” é uma preocupação do grupo e não uma exigência da legislação. Ora, qual empreendedor faria um estudo tão caro se não fosse obrigatório?

Outro blá blá blá de marketeiro é o tal do “golfe ecológico”. como pode a derrubada de dezenas de hectares de cobertura nativa com cabos de irrigação a cada metro, ser ecológico?

Dizem também que a área impactada será apenas a utilizada para o jogo. Ué? Não vai ter casas, hotel de 30 metros de alturas, cavalos, lagos para irrigação, loteamentos, ruas, estradas, praças de esportes????

Outra: Que o sistema de drenagem vai conter o processo de erosão das nascentes e córregos. De que modo? Não são as nascentes e córregos áreas de preservação permanentes protegidas por lei? Intocáveis? Ou será que eles vão interferir nestas áreas, contrariando a lei e fazer melhor do que a própria natureza já faz?

Também como podem dizer que não haverá “intervenções profundas”? Uma vez que um campo de golfe precisa necessariamente ser drenado e tal drenagem é feita a uma profundidade de no mínimo 60cm? Isto é, vão revirar tudo.

Dizem que “praticamente 30% “serão” áreas de preservação permanente”. Como se fossem eles que determinarão estas áreas? Ora, Ora, Ora... As matas ciliares, os cumes de morros e as nascentes já são áreas de preservação permanentes por lei federal, querendo eles ou não.

Mais uma... Quais benefícios um campo de golfe traz para o meio ambiente? Só se for comparado com a bomba de Hiroshima. Quanta hipocrisia, qualquer atividade humana é degradante e sempre é mais benéfico ao meio ambiente não fazer nada. Se estes tipos de empreendimentos fossem benéficos à natureza, não seria exigido por lei Estudo de Impacto Ambiental.

Depois começa os comparativos sem sentidos, coisa de marketeiro que quer vender geladeira para esquimó: Eles dizem lá que os “gramados densos e bem tratados, mantém o ambiente mais fresco em dias quentes, além de reduzir a poluição sonora, geralmente o clima é mais fresco em um parque ou no campo do que nas ruas das grandes cidades”. O que isto tem a ver com a região? Tem poluição sonora lá nas Contendas? Só se for de pássaros pretos.

O próximo parágrafo até dói. Olha só esta. Está escrito: “A comunidade ganha beleza e funcionalidade quando áreas previamente danificadas por atividades como extrações minerais e vegetais são profissionalmente recuperadas dando lugar a campos de golfe bem projetados e mantidos em funcionamento”. A isto, nós de marketing, chamamos de assertiva de persuasão, a frase é correta, mas é uma inverdade em se tratando do que eles estão fazendo e no contexto da publicidade. Ou será que eles estão recuperando 80ha de pedreira? Eu, sinceramente, acho mais bonito o cerrado nativo do que um campo de golfe para inglês ver.

Ai, ai. Chega. Daí pra frente é um amontoado de palavras bonitas que tentam mostrar um caráter ecológico, sempre fazendo comparações com cidades. O que não é o nosso caso.

Bom, essa não poderia ficar de fora. Argh! Dizer que “O gramado de um campo de golfe é um perfeito filtro que garante que a água irrigada retorne limpa para o lençol freático” é demais. O blá blá blá é forte. Se por acaso a água irrigada for para no lençol freático é por que há desperdício. Em irrigação não se molha o suficiente para atingir o lençol freático, ainda mais para gramas. Além do mais, os pesticidas, herbicidas e adubos são sempre solúveis em água e é as águas das chuvas que levam eles aos lençóis freáticos. Ou será que eles inventaram um filtro de grama que filtra sais dissolvidos?

È lógico que todas estas argumentações são questionáveis, mas quero deixar claro que não estou aqui, de modo algum, sendo contrário ao empreendimento, critico é a tentativa de persuasão descarada de uma propaganda elaborada por um profissional inescrupuloso, que tenta a todo custo provar algum valor ecológico de um empreendimento através de argumentações vãs. Alerto a população contra este tipo de publicidade enganosa, que, a meu ver, mostra não a preocupação com o meio ambiente, pois eles só estão se manifestando na imprensa após várias denúncias de cunho ambiental, mas a tentativa de fazer a “cabeça” da população, julgando-a ignorante com estes tipos de argumentações. Repassem.

 

Matéria publicada em 26/12/2005 às 21h17min.