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15/06/2011

Divino adia em dois dias sua vinda a Pirenópolis

Devido a diversos fatores, entre eles a polêmica gerada pela obrigatoriedade da numeração dos Mascarados que deixaram de sair nos primeiro e segundo dias das Cavalhadas, a festa só teve seu apogeu no último dia, o terceiro dia das Cavalhadas, quando o dia correto de seu ápice seria o domingo, dia de Pentecostes, o Domingo do Divino.

Divino adia em dois dias sua vinda a Pirenópolis

Para entender isso é preciso voltar no tempo: Existem diversas referências que a Festa do Divino Espírito Santo teve origem nos imperadores das dinastias otonianas nos séculos X e XI na Alemanha, como uma organização institucional, um banco, com o objetivo de angariar fundos para assistir populações carentes nos anos de penúria. Tais recursos eram distribuídos aos pobres em cultos a terceira pessoa da Santíssima Trindade, o Divino Espírito Santo. Foi agregado ao contexto teológico destes eventos a teoria do abade Joaquim de Fiori que atribuía três idades para a humanidade, sendo a terceira a idade do Espírito Santo, quando a paz, a fraternidade e o amor reinariam sobre todos os homens da terra. Correram estes no tempo e espaço e foram absorvidos pelos franceses no período de Carlos Magno e, posteriormente, introduzido nos reinos ibéricos e portugueses, daí para o Brasil como festividade religiosa. Já em Portugal, a festa, em seus primórdios, era promovida por um Imperador menino que ofertava a população farto banquete ao ar livre e libertava presos políticos, que simbolizava a vinda do Espírito Santo e suas principais riquezas: o amor, representado pelo imperador menino; a fraternidade, representada pela fartura e distribuição de alimentos; e a paz, pelo perdão de todos os nossos pecados, a soltura dos presos.

Já as Cavalhadas tiveram outra origem. Tanto que em muitas cidades brasileiras elas correm em épocas diversas. A Cavalhada de Pirenópolis é basicamente a junção de três elementos distintos: as Cavalhadas, propriamente dita, oriunda dos medievais torneios eqüestres e militares; a batalha de mouros e cristãos, conflito ocorrido na Península Ibérica durante os séculos X a XIV, inspirado na histórica Batalha de Carlos Magno e os Doze Pares de França; e os Mascarados, cuja origem é incerta, mas em Pirenópolis é retransmitida pela tradição oral como sendo a vontade do povo de participar das cavalhadas de forma anônima para não serem repreendidos pelos patrões (o período era de escravidão) e autoridades. Apesar de terem origens diferentes, em Pirenópolis, as Cavalhadas com os Mascarados foram incorporadas às festividades do Divino Espírito Santo e possuem, apesar de serem consideradas profanas, caráter religioso e devocional ao Divino Espírito Santo.

Os Mascarados, neste ano, foram o tema mais comentado da Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis, devido a uma decisão judicial, movida por ação do Ministério Público, que obrigava a prefeitura a cadastrá-los e numerá-los (vide matéria). A resposta dos Mascarados a esta ação foi a ausência total nos primeiros dias e um protesto no segundo dia, apoiados por unanimidade da população, que se manifestaram através de vaias e reclamações. Estes acontecimentos geraram grande tristeza e descontentamento, o que tornou a festa sóbria durante os dois primeiros dias. Porém, ao final do segundo dia, a decisão foi suspensa (vide noticia) e os mascarados liberados. Qual euforia surgiu em toda a população, cavaleiros e mascarados.

A Festa do Divino Espírito Santo em Pirenópolis inicia-se como uma invocação já no Domingo de Páscoa para que, a exemplo dos apóstolos (atos,2), no dia de Pentecostes, o Domingo do Divino, o dia culminante da festa, o Divino desça sobre à cidade de Pirenópolis enchendo o coração das pessoas com suas riquezas. O resultado disso deve ser o amor, a paz e a fraternidade, representados pelas portas abertas, folias com suas fartas e gratuitas mesas, farofas, distribuições de verônicas, a ausência de cercas, muros e ingressos, e pela liberdade das pessoas poderem sair às ruas e festejarem, mascaradas e não mascaradas, com paz e alegria. Coisas como cobrança de ingressos, exclusão de pessoas em áreas da festa, envolvimento de políticos e autoridades visando à autopromoção, contaminam a festa com misérias, egoísmos e interesses que só fazem afastar esse que é o mais belo de todos os espíritos, o divino e santo espírito.

Graças ao Divino Espírito Santo que não abandonou Pirenópolis, antes tarde do que nunca, conseguiram os pirenopolinos, com a força de seus mascarados, apoiados por todos, lutar contra as mazelas do espírito e vencer o medo e a desconfiança e fazer com que no último dia a festa tivesse seu apogeu glorioso. Quem esteve, sentiu. Resta a nós, aqui em Pirenópolis, nos esforçar para manter acessa essa luz do Divino Espírito Santo e deixar fora de nossos corações a mesquinharia, a politicagem e o egoísmo. Valeu Divino!

Matéria publicada em 15/06/2011 às 14h36min.