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14/02/2009

Como abrir o fosso da desigualdade social

Pois é, aqui estou eu de volta. Quanto mais se reza, mais assombração aparece. É bem sabido que um dos maiores problemas do Brasil é a desigualdade social: poucos ricos e muitos pobres. É algo cultural, bem sabemos, herança da colonização escravocrata que ainda está bem entranhada no subconsciente coletivo, e pior, no consciente individual de uma minoria. Minoria essa bastante egoísta e gananciosa que fazem de tudo para conseguir cargos públicos e tornar nossa linda República em algo privado, uma Reprivada (bem dizer, para quem não sabe, república significa tornar-se público, fazer do Estado algo para todos). É quase um golpe de estado.
E é isso que acontece: Mudança de governo e a mesma lenga-lenga. Prefeitos, secretários e chefes do executivo já chegam, desculpe o termo, cagando regras. São medidas tomadas arbitrariamente: lei faladas, escritas em ofício e em papelinhos pregados na paredes. Como se pudessem. Tratam o público como privado e acabam fazendo do público uma grande privada. E tudo isso é extremamente ilegal.
Para quem não sabe, e parece que os administradores públicos não sabem, todas as constituições do Estado brasileiro, sejam federal, estadual ou municipal tem como princípios básicos a legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Isto é, nenhum funcionário público pode agir sem que sua ação esteja pré determinada legalmente, não podem agir em benefício de pequenos grupos, não podem agir em função de troca de favores, as famosas parcerias (ou melhor panelinhas), serem transparentes e pôr tudo a mostra e, por fim, serem eficientes e trabalharem com afinco.
Seguindo a lei, seremos um país digno, haverá distribuição de renda e diminuição da probreza. Caso contrário, haverá acumulo de riqueza e construção de uma marginalidade.
Existe um turista em Pirenópolis que, segundo alguns, não são bem-vindos, são os farofeiros, quem vem para cá, não gastam nada, fazem barulho e sujam tudo. Ora, quem pode gostar desse povo. Mas eles existem, não há como negar. Se não aceitarmos que o Brasil é feito de muitos pobres que querem se divertir e não tem dinherio como a granfinagem, e que Pirenópolis é uma cidade turística e deve receber a todos os turistas, sejam ricos ou pobres, negando aos pobres ações públicas como lazer, saúde e educação, criarão eles uma sociedade pararela, marginal a esta nossa suposta sociedade centralizada no poder de estado. Então crimes acontecerão e favelas subirão os morros. E os marginais descerão ao centro para assaltar a granfinagem. Problema velho que parece que os ricos insistem em não enxergar. Azar o nosso.
Enquanto, em Pirenópolis, não aceitarmos os pobres como brasileiros que merecem a atenção do poder público, fazendo eventos e áreas de lazer para eles, com vigilância e programas de educação, nunca resolveremos este problema, só cavaremos mais fundo o fosso da desigualdade.

Matéria publicada em 14/02/2009 às 14h07min.