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04/12/2017

Bons motivos para se fazer trilhas em Pirenópolis

Pirenópolis foi agraciada pela geografia. Essa mesma formação geológica que deu origem à cidade, recolhendo o ouro às faldas de suas serras, expondo as comerciais Pedras de Pirenópolis e vertendo magníficos conjuntos do mais precioso mineral da atualidade, a água, afastou o agricultor e dificultou o pecuarista de antigamente. Que valor havia num monte de morros escarpados, de terras pobres, arenosas e pedregosas? Por causa disso, todo o cerrado em terrenos planos e terras boas foi praticamente extinto e hoje quem quiser ver, sentir e tocar o cerrado nativo e selvagem, só mesmo nestas antigas áreas desprezadas pelo desenvolvimento econômico. Foram também para estas áreas que migraram muitos dos animais e também são estes terrenos os substratos das vegetações mais antigas do continente, resilientes e especializadas. Coisa de louco passar a mão numa Vellozia Gigantea, que pode chegar a mil anos de idade, ou nas penugens da folha nova da Wunderlichia, após caducar todas as folhas na seca. Quem sabe comer uma fruta silvestre, sentir o perfume da sucupira, ouvir o canto do urutau ou o chamado do trinca-ferro mandando dar bença a seu tio?

Bons motivos para se fazer trilhas em Pirenópolis

Não vou aqui falar destas trilhas batidas e conhecidas de turistas que anseiam por chegar de carro numa cachoeira e fazer uma selfie com uma latinha na mão, ávidos por publicar no seu Instagram. O que menos se aproveita numa caminhada ecológica de verdade, trekking ou hiking, pelos cerrados de Pirenópolis, são as selfies. Essas não cheiram, não tem textura tátil, não ofendem a pele, não desmancham o penteado, não picam, não lanham, não ameaçam com entorse no tornozelo, não riscam as canelas, não melecam as pernas com o meloso do capim e o negrume do carvão das queimadas, não mostram detalhes, não contam histórias, não são multidimensionais e são planas.

Esqueçamos, portanto, as selfies e vamos falar de trilhas em Pirenópolis. Falar das trilhas selvagens, sujas de mato, onde passam mais bichos do que gente. Vocês acham que um lugar que possui dezenas de cachoeiras, serras e mirantes não tem muito mais para ver do que estradas, calçadas, ruas e cachoeiras pagas? Quem já subiu o Morro Santa Bárbara? Ou foi lá em cima no Pedro? No Macaco, no Cabeludo, na Mata da Onça, no Canjica, no Paredão da Omini, no Pico do Vale Dourado, subiu a Pedra do Maneta e viu a Mula Sem Cabeça na Cidade de Pedra? Turista nestes lugares são poucos. Não são lugares feitos para o turista comum. O tal aventureiro Nutella não dá conta, não, ou, se der, não curte. Para se chegar a muitos destes locais só por trilhas a pé (ou olha lá por trilhas de bike), caminhando sobre campos rupestres, passando por cima de pedras, em contato com a vegetação nativa, com sol, chuva, calor, insetos, vento… Enfim, tudo que a natureza tem para oferecer.

Mas nem tudo são flores e insetos. Alguns destes lugares, até mesmo por não haver infraestrutura turística, vem sofrendo com a degradação das motos de trilha, veículos 4x4, escaladores e aventureiros ávidos apenas por experiências sensoriais e descompromissados com o conhecimento e a preservação do ambiente. Fazer o quê, né? Aproveitar enquanto pode, enquanto ainda não se pisoteou e urbanizou por total a natureza, para conforto dos caudalosos aventureiros Nutellas e seguidores de Instagram, que divulgam estes lugares sensíveis e suscetíveis para uma turba urbana, ávidos por novidades.

Por fim, como importo com a preservação destes ambientes e com a difusão de conhecimento (além da segurança, é claro), pois só conhecendo com detalhes os ambientes naturais é que se é possível valorizar sua verdadeira e intrincada biodiversidade ecológica, não poderia deixar de recomendar a contratação de um guia especializado, aquele credenciado, de carteirinha e tudo, e fazer contato com antecedência pelas agências, pois os locais mudam conforme época do ano e cada local tem sua época mais apropriada. Caminhar é bom demais e a natureza é pródiga.

Mauro Cruz é empresário, guia de turismo, publicitário, editor, desenvolvedor deste site e especialista em caminhadas de longa distância na natureza.

Consulte as agências receptivas para mais detalhes. E boa caminhada.

Matéria publicada em 04/12/2017 às 15h05min.