Benvindo a Pirenópolis
Benvindo a Pirenópolis

Artigos e Notícias

Voltar para Notícias

27/03/2013

Arnica do campo, um santo remédio que ainda resiste ao raizeiros

Dizem que em caso de "tucunté" dor, arnica cura. Muito utilizada pelos cerratenses, a arnica-do-campo, também conhecida como candeia, é um arbusto típico de cerrado rochoso de altitude, os campos rupestres. Em Pirenópolis, em certas áreas, ainda é possível ver campos infestados desta planta. O ainda é porquê em outras tantas áreas esta espécie foi extinta por raizeiros inconsequentes.

Arnica do campo, um santo remédio que ainda resiste ao raizeiros
Flores de arnica sendo visitadas por mamamgavas

A arnica, Lychnophora ericoides, a que abunda em nossa região, é uma planta no mínimo curiosa. Exala um perfume de cânfora de uma resina que exuda nas folhas da ponta dos ramos. Por ser um arbusto baixo, ao passar ao lado de um pé de arnica, não há como deixar de esfregar as mãos em suas folhas e ficar com seu perfume por vários minutos, mesmo horas, após. Sua textura aveludada transmite às mãos uma sensação gostosa e cativante que dá vontade de ficar ali parado, olhando o visual dos campos altos onde se encontra e sentindo seu aroma.

A arnica-do-campo é uma planta medicinal. Possui substâncias de comprovado poder terapêutico, anti-inflamatório e analgésico. Popularmente costuma-se colocar suas folhas, ainda presas nos ramos, dentro de garrafas com álcool. Usado principalmente contra dores musculares através da fricção da titura alcoólica com as mãos no local contundido. Mas também produz-se cremes e pomadas. Existe também difundido o uso em cachaça para ingestão oral. O que não é recomendado por pesquisadores por ser extremamente tóxico. Aliás, a função na planta destas substâncias aromáticas é justamente afastar os herbívoros, dada a sua toxidade.

Segundo a pesquisadora Luciana Queiroz Melo, em seu trabalho citado ao final da matéria, as substâncias anti-inflamatórias estão nas folhas enquanto as analgésicas na raiz. O caule não possui nenhuma substância terapêutica. São diversas as substâncias de poder terapêutico, como flavanoides, lactonas, triterpenos e lignanas que possuem ação anti-inflamatória e analgésica.

Por ser um remédio eficaz contra contusões, hematomas, dores musculares e varizes, a maior preocupação com esta planta é devida a extração indiscriminada e de forma irracional pelos comerciantes de ervas medicinais, os chamados raizeiros. Vários campos que outrora eram dominados pela arnica, hoje não se vê um sequer exemplar. Os campos de arnica remanescentes estão dentro de propriedades privadas e em áreas protegidas.

O nome arnica foi dado pelos imigrantes europeus que viram enorme semelhança desta planta com a Arnica montana européia, também da família Asteraceae e que possui as mesmas propriedades. Por isso também é chamada de falsa-arnica ou arnica-brasileira. Existem dezenas de espécies de arnicas, a maioria do gênero Lychnophora.

Veja também em nosso Herbário Digital mais um pouco mais de sua botânica.

Fonte: Análise da variabilidade genética de arnica (Lychnophora ericoides Less. - Asteraceae) usando marcadores RAPDs de Luciana Queiroz Melo, Ana Yamagushi Ciampi e Roberto Fontes Vieira.

Matéria publicada em 27/03/2013 às 21h58min.