Benvindo a Pirenópolis
Benvindo a Pirenópolis

Artigos e Notícias

Voltar para Notícias

05/08/2015

A Importância do Guia de Turismo

O Guia de Turismo é, sem sombra de dúvida, o profissional que mais entende de um destino turístico, principalmente se ele for especializado naquele atrativo, que pode ser uma cidade ou região. Para quem não conhece, e ainda compara o guia de turismo com um “flanelinha”, que serviria apenas para indicar o caminho, não sabe o equívoco que comete e o que está perdendo.

A Importância do Guia de Turismo
Guia de Turismo dando palestra em patrimônio urbano

Hoje, para ser guia de turismo a pessoa deve concluir um curso técnico básico de mil horas (dois anos). Básico porque existem algumas categorias de guias, que podem aumentar a carga horária. As categorias são: Guia Regional, que é o profissional que tem como atribuição receber, informar, orientar e conduzir turistas numa determinada unidade da federação, prestando toda assistência necessária; Guia de Excursão Nacional, que é o profissional habilitado para acompanhar excursões em percursos interestaduais ou pela América do Sul; Guia de Excursão Internacional: habilitado para acompanhar excursões em percursos internacionais fora da América do Sul; e Guia Especializado em Atrativo Turístico, quando possui especialização técnica relativa a um determinado atrativo natural ou cultural.

Mas o quê é que tanto precisa saber um guia? Qual sua importância? E porque uma pessoa sem formação não pode ser guia? Muitos indagam, até mesmo pessoas ligadas ao turismo, como empresários e gestores públicos, e não sabem o valor do guia, nem o porquê que uma pessoa qualquer não poder guiar. Resumem o trabalho do guia a indicar o caminho. Indicar o caminho é das menores preocupações do guia. Ora, para isso um mapa resolve e hoje muitos celulares vem com GPS. Saber o caminho é o de menos.

É exigido do guia de turismo conhecimentos, habilidades e experiências profundas sobre o turismo em geral; a legislação pertinente; as normas e valores dos atrativos; análise de perfil sociocultural dos turistas, para melhor adequação custo-benefício e satisfação produto-cliente; resolução de conflitos e problemas; primeiros socorros; cartografia e orientação espacial; procedimentos de bordo; informações técnicas e aplicadas sobre geografia, economia, arte, cultura, história, religiosidade, indicadores sociais, meio ambiente, folclore e especificidades regionais; entre outras não menos importantes como segurança e prevenção de acidentes.

O guia de turismo faz a figura do cicerone, o porta-voz do destino, ele assiste o turista em suas necessidades, expectativas e contratempos; ele sabe enaltecer as qualidades do atrativo; sabe selecionar os temas de acordo com as expectativas do turista; sabe mostrar detalhes que passariam desapercebidos mas que, no entanto, são características típicas e únicas da região; sabe minimizar conflitos e esclarecer desagrados que à primeira vista seriam negativos, como, por exemplo, as pedreiras de Pirenópolis, somente um bom guia de turismo é capaz de transformar o que, a princípio, seria uma degradação ambiental e uma poluição visual numa aula de geologia, socioeconomia e mineração; o guia guarda contigo um cabedal de conhecimentos históricos, ambientais e culturais que o faz valorizar e defender ardorosamente como patrimônios da sociedade; ainda mantêm registros, experiências e informações das impressões e críticas do turista sobre todos os serviços do destino, seja público ou privado; é profundo conhecedor dos problemas do “trade”, pois mantém relações com praticamente todos os prestadores de serviços, fazendo com que seja de grande valia em instâncias consultivas e deliberativas da governança local; e também é um grande promotor da economia, uma vez que tem tempo junto ao turista para oferecer toda uma sorte de produtos e serviços, incentivando-o a conhecê-los aumentando assim a contribuição econômica deste com a comunidade.

Resumindo, o guia de turismo se dedica à profissão e estuda. É capaz de dar uma verdadeira aula sobre o local. O guia de turismo não é uma pessoa despreparada, que aproveita o ócio do final de semana para ganhar um troquinho, levando o turista para passear. O poder público permitir que falso guias atuem é, no mínimo, uma injustiça, pois trata-se de uma contravenção penal guiar sem ter cadastro no ministério, e uma desconsideração com tão valiosa classe, que tem as virtudes humanas, como a educação, a gentileza, a humildade, o serviço, o asseio, a ética, a informação e a verdade como premissas profissionais.

O guia de turismo é tão importante que foi para ele a primeira lei que regulamenta a atividade profissional na área de turismo, a lei 8.623 de 1993, regulamentada pelo decreto 946 de 1993.E nela exige-se a qualificação e o credenciamento pelo Ministério do Turismo por se considerar sua falta uma ameaça à sociedade e ao consumidor. Estas normas obriga a realização de um curso técnico, a sindicalização, contribuição previdenciária e a portar uma credencial com validade e impõe ao poder executivo a fiscalização e as sanções administrativas. E isso é bom, pois protege o turista que ser ludibriado ou mesmo vítima de algum crime hediondo por mãos de falsos guias, os chamados piratas. Estes se se apresentarem como guia, seja com camisetas, crachás, cartões ou publicidade, e também se estiverem sendo remunerados para exercer as atribuições de um guia, incorre em contravenção penal pelo exercício ilegal de profissão e pode ser enquadrado no artigo 47 da Lei de Contravenção Penal. O negócio é sério.

A Política Nacional de Turismo, regida pela lei 11.771 de 2008 e regulamentada pelo decreto 7.381 de 2010, classifica os prestadores de serviços turísticos. Entre eles, assim como o guia, os meios de hospedagem, as agências e as transportadoras turísticas são obrigados a terem o cadastro no Ministério do Turismo, o Cadastur. E o ministério, através de portarias, estabelece requisitos e critérios para as atividades. Um guia de excursão nacional ou internacional não pode realizar as atribuições de um guia regional, que seria conduzi-los aos atrativos naquele estado. Cabe ao guia de excursão, nacional ou internacional, acompanhar os turistas nos traslados interestaduais e dar assistência nos procedimentos de bordo, despacho de bagagens e acomodação em meios de hospedagem. Assim como um guia regional não pode conduzir turistas fora de seu estado. Exemplificando, um guia nacional que sai de Brasília e vem a Pirenópolis, Goiás, não pode ele mesmo visitar e conduzir seus turistas aos atrativos locais, mesmo que conheça. Deve ele ao chegar contratar um Guia Regional Goiás para isso.

Entre os prestadores que afetam diretamente o serviço do guia estão as agências e as transportadoras. As transportadoras, segundo o artigo 4º da portaria 312/13 do Ministério do Turismo, não podem comercializar pacotes de viagem, passeios locais e traslados sem a intermediação de uma agência, estão restritas à comercialização direta com o consumidor somente na modalidade “especial”, que resumindo seria um fretamento de veículo. Já as agências, que são as únicas que podem comercializar os pacotes de viagem e passeios locais, se operarem com guias não cadastrados estão sujeitas às penalidades expostas no artigo 53 do decreto 7.381/10 e o falso guia ser enquadrado como contraventor. Tramita ainda pelo congresso projetos que obrigam a toda excursão, pacote ou passeio a ter um guia de turismo como membro da tripulação e outro que autoriza o guia a cadastrar seu próprio veículo, para passeios individuais ou com pequenos grupos.

Então está aí, para quem não sabia qual a importância de um verdadeiro guia de turismo, a legalidade e o porquê da proteção legal que é dada pelo Estado, fica uma dica: procure sempre um bom guia de turismo, ele lhe fará economizar tempo e lhe assistirá para seu melhor aproveitamento e satisfação, pois sabe que seu minuto de viagem é muito valioso. E não se esqueça, o guia de turismo deve obrigatoriamente portar a credencial validada pelo Ministério d o Turismo. E boa viagem!

Autor da matéria: Mauro Cruz, publicitário e guia de turismo regional Goiás, especializado em Pirenópolis, com 18 anos de experiência em condução local de turistas.

Matéria publicada em 05/08/2015 às 20h05min.