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As Garrafas de Ouro

Quem procurou, procurou...

Quando um casarão vai ser demolido, surgem muitos curiosos garimpando os escombros em busca das Garrafas de Ouro. Na época dos antigos, quando a cidade ainda vivia sua glória de mineração aurífera. Faziam os senhores esconder parte do fruto do trabalho das minas para fugir de assaltos e da cobrança dos impostos reais, o famigerado Quinto.

O ouro lavrado era obtido em pó. Segundo as leis vigentes na época (séc. XVIII) era crime comercializar com ouro em pó e todo o ouro minerado deveria ser direcionado para as casas de fundição da Província, que ficava longe, de princípio em São Paulo, só mais tarde instalaram uma na cidade Goiás, para ser fundido e quintado. As largas distâncias e o isolamento também facilitavam o ataque de bandidos e desmandos das autoridades.

Portanto, era tática de sobrevivência, enterrar o ouro excedente acondicionados em garrafas de barro nas paredes das casas, sob o soalho, dentro do fogão a lenha, debaixo de pedras no cerrado e até mesmo dentro de jatobazeiros (faz-se largo furo no tronco do jatobá, coloca-se a garrafa dentro e a seiva abundante da cicatrização cobre e fecha-a em seu interior).

Causos de pessoas que acharam garrafas de ouro em escombros de demolição são muitos. Já chegaram a demolir casarões de ricos elementos da sociedade que morreram sem deixar herdeiros, no intuito de saquear garrafas escondidas nas alvenarias. Como dizem ter acontecido com o Castelo do Frota e a Casa de 365 Janelas do Comendador Joaquim Alves de Oliveira.

Quando uma pessoa enriquece de repente, sem nenhuma explicação, dizem que achou uma garrafa de ouro.

Porém nem tudo é bom nesta história, como toda lenda tem sempre um cunho moral, quem achar uma garrafa não deve nunca utilizar seu ouro para benesses particulares, pois diz a boca popular, que tudo que adquirir lhe será retirado em dobro. Portanto apenas a terça parte deve ser utilizada para si, deixando o restante para caridade.

Esta lenda é ainda viva. Muitos quando andam pelos campos olham por debaixo das pedras e sempre que se demoli uma casa velha, lá está ele, fuçando e revirando, em busca do sonho dourado.